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Quando uma mulher sente tesão


Fabricio Gimenes

Quase nenhum homem está preparado para uma mulher quando sente tesão. Não falo daquele tesão anunciado que os dois sentem quando a noite promete. Falo do tesão imprevisto que invade a calcinha e deixa a pele toda em alerta.

Quando uma mulher sente tesão de repente, não tem outro remédio, amigo: é você que ela quer. Você com seu delicioso (sic) pau todinho pra ela. Língua, mãos e afins – tudo a disposição dela. Toda a sacanagem que houver nessa vida.

Não tem reunião que seja importante, não tem jogo de futebol que compita, não tem dor de cabeça que dê jeito. Aquilo tudo que normalmente você sente 7 dias por semana encarnou sem avisar. Não tem hora nem lugar. Só tem tesão.

O homem – que é o animal mais dosmesticado que eu conheço – não espera isso. É ele quem toma a iniciativa, afinal. Mulher com tesão faz parte da sua fantasia, do vício solitário, não é coisa que acontece toda hora. Mas uma hora acontece.

E quando acontece, a mensagem é clara e o objetivo também. Ela merece o seu melhor. Ela merece aquele beijo suave nas partes mais sensíveis, merece aquela apertada no quadril, merece que você afaste a calcinha com todo o cuidado do mundo. Um expert, você, hein!

No mundo do sexo, da sacanagem e do amor, vale de tudo um pouco porque não há nessa vida prazer maior do que saciar um desejo, uma necessidade. Do que fazer parte de uma causa tão nobre. Não existe em termos carnais prazer maior do que ser convidado a entrar.

Quando uma mulher sente tesão, quase nenhum homem está preparado. Apenas o homem certo. Você.

// Para Rafaella Biasi, minha mulher, inspiração desta crônica.

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Um lugar comum

Fabricio Gimenes

Vivemos num mundo antibiótico. A vida nas poluídas cidades cheira à sexo, traição e fumaça. Remamos contra a maré. É só o que nos resta.

Vivemos num mundo onde falta amor. Um mundo que está pronto para nos tirar tudo  no mais rápido piscar de olhos.

Na ânsia de sentirmos que a vida ainda pulsa de alguma maneira, no espasmático desespero de chegar até o final do dia, seguimos trepando e poluindo nossos corpos com o suor dos perdidos, com a fumaça do cigarro e a mágoa de outros tempos. Seguimos alongando a estrada que dá no abismo em vez de pularmos de uma vez. Opressivamente, inevitalmente, depressivo. Encontrar um amor é o paraíso na terra não autorizado.

Este é um mundo onde os que amam tem que lutar, dia após dia, com a tristeza alheia. Não se contaminar com tanta frustração é o maior dos feitos de quem vive feliz. Conviver com a agressividade dos eternos insatisfeitos é uma luta desleal – pois a frustração está para o nosso tempo, como o progresso estava para quase todos décadas atrás – é inevitável, está em franca expansão.

Em meio a tanta informação, a tanta expressão, perdido com tantas opções já não encontramos o caminho para casa. Não sabemos como desvirar nossas vidas do avesso. Hoje, o amor é uma questão de fé.

Não que eu me importe tanto com os problemas alheios, mas porque, lá no fundo, por mais que estejamos blindados contra as cegas investidas, sim – todos sofremos um pouco. Já não sei como ajudar certas pessoas. A vida é seretonina com muito gelo e limão. Já a tristeza é uma bebida sem gelo, engolida às pressas, às vésperas da sede.


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