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São Botequim entrevista: Xico Sá!

Ele já virou muitas noites nos bares da vida. Já se apaixonou em puteiro e caiu na gandaia com PC Farias. Cronista de costumes, como ele mesmo diz, acabou de publicar “Chabadabadá”, coletânea de crônicas sobre o declínio do império masculino e devaneios sobre o mundo feminino de uma maneira cômica e crítica. Xico Sá visita o São Botequim nesta descontraída entrevista.  Pode abrir aquela cervejinha, acender o cigarrinho e aproveitar, a casa é sua.
Xico, conta pra gente de onde vem os assuntos do Chabadabadá. O livro é uma resistência a toda essa pseudo-cult-modernidade que vivemos hoje?

Nem era, mas acabou virando e gosto que seja. No princípio, como diz a Bíblia, era apenas a continuidade do “Modos de Macho & modinhas de fêmea”, meu primeiro livro sobre esse assunto da tragicomédia entre homens e mulheres. Mas o mundo foi ficando tão frouxo e falsamente moderno, que até eu tenho o “Chabadabadá” como panfleto lírico dessa luta.

Na sua visão, por que o homem se desqualificou tanto no papel de homem nos ultimos tempos? O homem é a nova mulher?

Rapaz, foi um afrouxamento tão grande. A mulher avançou e o homem se escondeu na loca, na toca, no buraco, esqueceu da sua função no mundo. Nem o pão debaixo do braço no começo da noite traz mais para casa. O homem é o novo tatu, sumiu no buraco.

Ultimamente a gente tem visto uma serie de “reinvenções” na sociedade. Toda a sacanagem que ficava escondida agora ta meio institucionalizada. Tv, reality disso, debate daquilo… para onde vamos a partir disso?

A gente vê na tv mas ainda com um filtro moderninho que encobre a grande sacanagem de fato. É como se tapassem o sol do Deus Nelson Rodrigues, que era infinitamente mais moderno e mais sacana.Agora é tudo negócio e medo de se expor de verdade. O que é exposto é só a putaria possível e ja negociada, inclusive com os patrocinadores. Não há risco.

Vc menciona em uma de suas cronicas que experimentou a metrossexualidade, mas não gostou. Onde foi que não deu liga? Ou deu…?

Experimentei para uma reportagem, mas juro que ja cheguei com espirito muito preconceituoso de macho-jurubeba. Tiro essa onda toda pra refletir sobre as mudanças do homem. É o papel de um cronista de costumes. Tudo pelo jornalismo-verdade.

Vc ja escreveu sobre a sua teoria da manga. Qual a importância dela pros rapazotes e raparigas de hoje ?

Se o cara não chupou muita manga na infancia e na adolescencia… terá menos devoção na arte do sexo oral com as moças, evidentemente. Assim também vale para as meninas que não comeram e sorveram espigas de milho. São lições básicas, como digo no meu “catecismo de devoções, intimidades & pornografias”.

Já ouvi histórias de um amigo, na verdade amigo de um amigo meu (risos), que broxou algumas vezes no terreno em pleno combate. Nada comparado ao macho tupperware que vc já descreveu, broxada mesmo, clássica. Já rolou broxada histórica contigo? Qual a saída neste caso?

Claro que rolou. Ah, ri e enchemos a cara. eu ja era um tiozim, velho, já podia rir abertamente do meu fracasso. Sim, depois fodemos na piscina a céu aberto de um motel da Marginal Pinheiros, mas muito tempo depois,é bom que se diga.

O Mário Prata escreveu uma vez sobre a arte de tocar uma punheta. Woody allen também é adepto. Punheta é uma arte perdida? É o consolo dos feios?

A justiça pelas próprias mãos não é arte, mas é a maior das vinganças. Se virasse arte eu seria o Andy Wahrol dessa porra desperdiçada e pop que não faz filhos.

Defina casamento em uma palavra.

Vestido!

Mulher de TPM, qual a solução?

Tapa com amor.

Mulher perfeita, existe?

A do nosso amor à primeira vista.

Mulher bonita é aquela mulher que…

A que finge que não se vê no espelho e nos fode pro resto da vida.

Mulher gosta de dinheiro ou de carinho?

Nem de um nem do outro. De ser a única.

A mulher ta superestimada hoje?

Tá se achando, mas merece. Se tem coisa melhor, não existe.

Ainda existe mulher comfort? Onde estão?

Existe, agora mesmo acabou de sair uma da minha casa. Encantado!

Para xico sa política é…

pronunciamento, dizer nossas coisas, seja sobre mulher seja sobre uma votação no Supremo.

Vc ja escreveu sobre o ridiculo do twitter, mas se rendeu a ele. O que vc acha da sua audiencia online?

Sempre me espanto e depois me rendo. Assim tem sido desde que troquei a velha Remington da redação por um computador movido a brasa. O importante é estar dentro, acredito que eu ainda esteja dentro.É quentinho o novo mundo,assim como uma boa buceta.

Chabadabadá - Crônicas de Xico Sá

Quando vem o proximo livro? Sobre o que sera, exatamente?

Vem ai Big Jato, um romance que prova o seguinte: só a merda humaniza o homem.

Um mensagem para nossos alcoolizados leitores…

Só a lama cura!

Valeu!

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Quero ser Jack Nicholson!

Ele detém o estigma de perverso por conta de seus papéis no cinema, mas não deixa absolutamente nada a desejar nas comédias que já fez. É um velho safado que “ainda não colocou em prática todas as fantasias que já passaram pela sua cabeça vazia”. Senhoras e Senhores: Jack Nicholson! Por Fabrício Gimenes 
Em termos de idade, dá para dizer que, no decorrer do último ano, provavelmente cobri o território de 21 a 61. Foto: Mathew Rolston
“Em termos de idade, dá para dizer que, no decorrer do último ano, provavelmente cobri o território de 21 a 61.” Foto: Mathew Rolston

 Bem do alto da monotonia de qualquer segunda-feira à noite, procuro entre a pilha de revistas alguma edição mais antiga (sempre leio revistas antigas). Entre Playboys, Vips e Superinteressantes, retiro, então, a edição 01 da Rolling Stone Brasil (outubro 2006). Na capa, bela capa devo dizer, está Gisele Bundchen  estampada com todo mérito como “A maior popstar brasileira”. Há também uma excelente matéria sobre Bob Dylan. Mas, a que salta aos olhos no primeiro instante é a reportagem com Jack Nicholson: Confissões de um velho safado.

Na ocasião da reportagem, assinada pelo jornalista Erik Hedegaard, Jack Nicholson estava prestes a estreiar o eletrizante longa Infiltrados, de Martin Scorsese. Jack, na ocasião, retornava ao que parece ser seu verdadeiro habitat: Personagens maus!

Entre um cigarro e outro, Jack revela sua personalidade hedonista, intimamente ligado ao sexo e tudo que pode compor tal cenário. Erik “arranca” dele ótimas declarações. Como no trecho a seguir:

(…) E, finalmente, temos as palavras preferidas de Jack para animar seu papo normal, do dia-a-dia, sendo que duas delas são pussy [xoxota] e cunt [boceta]. 

 “Adoro essas palavras!”, ele quase berra. “Quer dizer, no últimos tempos, poderia até perguntar para alguém: ‘Bom, olha, você sabe por que eu digo cunt ou pussy ou pookie [fofinha]?’ Mas gosto de poder dizer coisas como: ‘Cunt é uma sigla’. ‘Para quê?’ ‘Para can’t-understand-normal-thinking [não consigo entender o raciocínio normal].’ He, he, he. Mas, bom, claro que só invento isso para fazer piada. Mas o negócio é que simplesmente gosto dessas palavras, por acaso.”  

Ou neste trecho: 

“Faz um bom tempo que não estou comprometido, então tenho companhias variadas. Em termos de idade, dá para dizer que, no decorrer do último ano, provavelmente cobri o território de 21 a 61.”
  
“Sessenta e um?”

 “É, sou bonzinho com minhas amigas.” 

A entrevista prossegue com Jack divagando sobre o sexo atualmente e sobre o pânico de não ter realizado todas as fantasias que já se passaram pela sua cabeça vazia.

Jack Nicholson

Em verdade sempre me imaginei com o triplo da idade que hoje tenho ao escrever este blogue. Há algum tempo já cultuava admiração pela cara de maluco de Jack e pelos filmes que já o vi fazendo. Hoje na casa dos 70, o cara possui a verdade e a mentira anunciada no olhar. Detém o riso soberbo e sacana que seduz até mesmo as mais gélidas mulheres (Alguém tem que ceder)  e, para completar, possui o estilo de quem viveu as melhores épocas das melhores maneiras possíveis. Eu pergunto, por que não Jack Nicholson?

Existem também outras figuras, mais ou menos na mesma idade, igualmente inspiradoras. Mas todos inspiram à sua maneira, quase uma coisa de nicho. Jack, tanto na vida real, quanto em seus filmes, traz a efervescência do urgente contraposto com a calma de quem sabe muito bem o que, como e quando algo deve ser feito. Hoje tudo ficou claro. Eu, realmente, quero ser Jack Nicholson!

Para conferir toda a reportagem realizada pela Rolling Stone Brasil com o velho safado, basta clicar aqui