Posts Tagged 'Bob Dylan'

Uma coletânea que vale a indicação: Lucky Seven (Ronnie Lane)

Não sou muito fã de coletâneas. Mas para quem quer começar a conhecer o trabalho de algum artista, até acho que vale a pena. Afinal, uma coletânea supostamente traz uma visão geral da vida e obra de alguém.

Pensando nisso, me flagrei ouvindo [novamente] o álbum Lucky Seven (2002), que é uma compilação das músicas de Ronnie Lane.  Ronnie foi mais um dos talentos atuantes nas décadas de 60 e 70. No entanto, teve uma projeção significativamente menor como outros de sua época.

Falecido em 1997, Ronnie Lane sofria de esclerose múltipla. Sua última apresentação foi 1992

No extenso universo de produção cultural e artístico norte-americano da época, Ronnie Lane atuou como baixista do grupo The Small Faces. Após a reestruturação do grupo em 1969, a banda passou a ser conhecida apenas como The Faces. Na década de 70 Ronnie formou sua própria banda (Slim Chance) e dedicou-se à carreira solo gravando ótimos álbuns como Anymore for Anymore.

Lucky Seven é boa música para se ouvir com calma. Acender um cigarro e refletir sobre a vida. Com letras envolventes, o disco traz aquele clima saudosista, orgânico e simples.  Sempre costumo montar uma playlist com Ronnie Lance, Bob Dylan e meu mais novo vício, Neil Young. As referências no Folk e Country de Lucky Seven realmente valem a audição.

Abaixo uma apresentação ao vivo de Ooh La lah! Uma de minhas canções preferidas e que traz uma belíssima letra (saudosista, claro) abrindo o repertóriodo disco. A letra você pode conferir aqui.

Quem quiser fazer o download dos álbuns, pode checar aqui.

I wish that I knew what I know now / When I was younger…

abs,

No direction home

Por Fabricio Gimenes

Assisti durante todo o final de semana o documentário “No Direction Home”, um filme de Martin Scorsese sobre a vida de Bob Dylan. O disco ficou lá, no DVD player, por todo o final de semana. Entre uma pausa e outra fui saboreando a história desse músico que eu nunca consegui compreender. Nunca entendi, por exemplo, o grunhido viceral de suas canções, o porquê aquela daquela voz nasalada fazer tanto sucesso? Isso nunca fez muito sentido para mim.

Like a complete unknown

"Like a complete unknown"

Como já era de se esperar logo na primeira cena me identifiquei. Dylan fala sobre a sensação de sentir-se um estrangeiro. De não saber para onde voltar, ou mesmo para onde ir. Minha veia beatnick pulsou forte frente à película. Durante todo o filme fui absorvendo o sentimento de Dylan. O fato de não pautar sua vida numa meta imutável – dinheiro, fama, etc. – e sim, vivê-la pela simples razão de sentir-se bem. Pela unívoca necessidade de dar vazão aos sentimentos. O que vem em seguida é consequência disso. Talvez por isso sua música tenha esse aspecto cru, não lapidado, algo que possui uma certa “ingenuidade” e pureza, sendo entregue a quem ouve da mesma forma como nasceu. Tais canções  são como aquele certo sentimento que não dá pra disfarçar, não dá para evitar ou esconder.

É interessante, também, ver as entrevistas prestadas por Dylan aos vorazes jornalistas da época. O cantor parece sempre distante e até desinteressado em todo aquele circo.

O fato é que Dylan apareceu numa época carente de certos porta-vozes, onde a música atingia mais que as paradas de sucesso – despertava sentimentos e emoções. Não que o próprio fizesse questão disso. Mas pela sua sinceridade ao fazer música, tornou-se um. Lembro do que o falecido escritor Norman Mailer, que vivenciou essa mesma época, disse certa vez numa entrevista pouco antes de partir para o lado de lá: “Antigamente a literatura era como um chamado”. Tanto eu, quanto o velho Norman sentimos falta disso. Cabe aqui perguntar: E hoje, qual é o nosso chamado?