Um lugar comum

Fabricio Gimenes

Vivemos num mundo antibiótico. A vida nas poluídas cidades cheira à sexo, traição e fumaça. Remamos contra a maré. É só o que nos resta.

Vivemos num mundo onde falta amor. Um mundo que está pronto para nos tirar tudo  no mais rápido piscar de olhos.

Na ânsia de sentirmos que a vida ainda pulsa de alguma maneira, no espasmático desespero de chegar até o final do dia, seguimos trepando e poluindo nossos corpos com o suor dos perdidos, com a fumaça do cigarro e a mágoa de outros tempos. Seguimos alongando a estrada que dá no abismo em vez de pularmos de uma vez. Opressivamente, inevitalmente, depressivo. Encontrar um amor é o paraíso na terra não autorizado.

Este é um mundo onde os que amam tem que lutar, dia após dia, com a tristeza alheia. Não se contaminar com tanta frustração é o maior dos feitos de quem vive feliz. Conviver com a agressividade dos eternos insatisfeitos é uma luta desleal – pois a frustração está para o nosso tempo, como o progresso estava para quase todos décadas atrás – é inevitável, está em franca expansão.

Em meio a tanta informação, a tanta expressão, perdido com tantas opções já não encontramos o caminho para casa. Não sabemos como desvirar nossas vidas do avesso. Hoje, o amor é uma questão de fé.

Não que eu me importe tanto com os problemas alheios, mas porque, lá no fundo, por mais que estejamos blindados contra as cegas investidas, sim – todos sofremos um pouco. Já não sei como ajudar certas pessoas. A vida é seretonina com muito gelo e limão. Já a tristeza é uma bebida sem gelo, engolida às pressas, às vésperas da sede.

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