Textos categorizados 'Presidente'

Sobre micaretas e cultura

Por Fabricio Gimenes

Estamos em outubro. Acabamos de entrar no último trimestre de 2009 – um ano repleto de rupturas e mudanças. No meio de todo esse caos informativo e as mudanças acontecendo em velocidades cada vez maiores, a dúvida fica no ar: Por qual razão as micaretas ainda existem?

 Chicleteiro convicto

Chicleteiro convicto

 Em 2007 estrevistei o blogueiro e escritor, Francisco Grijó, do Ipsis Litteris. Veja o que disse o escritor dois anos atrás:

As pessoas precisam entender que um quarteto de cordas no Carlos Gomes merece a mesma promoção – se não maior – que um show da Ivete Sangalo. Um show da Ivete movimenta nossa capital, 400 mil pessoas. Enquanto que não há uma mobilização da própria mídia a esse respeito para um quarteto de cordas ou para uma banda de Jazz. Egberto Gismonti esteve na FAFI, haviam 70 pessoas. Um dos maiores músicos do mundo para 70 pessoas. Agora Babado Novo, Calcinha Preta, MC Sapão, eventos na Pedreira, sempre lotados. Mas aí há um dado interessante, existe um público que está afim de entretenimento – sair com as garotas e pegar os rapazes – e existe um público que busca alguma coisa de verdade. Este, é bem menor. É este público que iria ao Centro da cidade assistir ao Café Literário, é o público que vai ao Centro assistir um quarteto de cordas. Agora, compensa economicamente este público? É um público muito pequeno.

Disse mais:

Este tipo de evento, o qual eles chamam de “evento cultural”, não é evento cultural. Trata-se de música de fundo para as pessoas pularem e se beijarem. Se tirar a cantora e colocar apenas caixas de som, não fará diferença.

Dois anos se passaram, eu pergunto, o que mudou? Quase nada eu respondo. Se for pensar, acho que as coisas mudaram um pouquinho, mas para pior. Ora, hoje Vitória inaugura um evento com nada menos que 10 horas de axé, pegação e alienação. Como o slogan mesmo do evento adverte, “isso você nunca viu”.

Pelas ruas, um desfile de adolescentes e adultos vestindo aquelas temerosas camisetas, os tais “abadás”. Não há bem uma distinção entre ricos e pobres. Todos estão iguais, nivelados. E estes cidadãos são os mesmos que depois criticam nosso presidente, reclamam da gestão e distribuem exacerbadas exclamações nas mesas de bar.

Sinto-me meio impotente frente a essa realidade. Mas sigo à risca uma regra aprendida com D.Corleone: “Nunca discuta com um idiota”. E hoje, em Vitória, há uma porção deles por aí.

Curtas: Vida de Lula vira filme

Produção tem orçamento estimado em R$12 milhões e conta com Glória Pires no elenco

Por Fabricio Gimenes

Lula-Filho do Brasil deve estrear ainda em 2009

"Lula-Filho do Brasil" deve estrear ainda em 2009

Aproveitando o momento “lulista” aqui no São Botequim, surge uma notícia que vem muito a calhar. Começou a ser rodado esta semana o filme sobre a vida de Lula. O longa dirigido por Fábio Barreto conta a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva desde o seu nascimento até o início da década de 80.

A produção, segundo Barreto, tem o foco direcionado para a parte da história de Lula que é pouco conhecida, tanto no Brasil, como no mundo. As gravações de “Lula – Filho do Brasil” já começaram. As primeiras locações são na terra natal do presidente, o município de Guaranhuns, no agreste de Pernanbuco. Glória Pires interpreta a mãe de Lula, Dona Lindu.

Mais sobre Lula:

# Do Golpe ao planalto (Ricardo Kotsho)

O que Barack Obama e Lula tem em comum

Conheça 3 semelhanças entre o presidente eleito dos EUA e Luiz Inácio Lula da Silva
Homens de mudança

Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama: Homens de mudança

Por Fabrício Gimenes

O mundo respira aliviado. É isso que podemos dizer. A certeza de que o pequeno Bush agora está longe da Casa Branca injeta certa tranquilidade nos 4 cantos do planeta – apesar de tudo. Seu sucessor e Barack Obama, o homem que conquistou o mundo. Repare, não há exagero algum ao dizer isso. A eleição de Obama não foi apenas norte-americana, foi mundial.

A idéia de estabelecer uma comparação entre Barack e Lula surgiu após assistir a um breve documentário sobre a campanha do presidente recém-eleito. A identificação entre suas campanhas é notável. Para quem dúvida, eis o que Barack Obama e Lula tem em comum:

1) Obama e Lula são presidentes populares. Não somente populares na maioria dos votos, mas populares o suficiente para propor uma mudança na população de um país. Suas eleições são o resultado desse sentimento. Mais que isso, suas eleições foram a virada de mesa na hora “H”, o gol aos 44″ do segundo tempo. Barack Obama e Lula são a personificação da esperança, ainda que em épocas e proporções diferentes.

2) Outro ponto interessante é o fato de, historicamente, Obama e Lula pertecerem a grupos sociais “menores”. Obama mestiço, carrega sobre si o estigma da raça negra. Apesar de ser um homem letrado, Obama – em suas atuações em Chicago – sempre defendeu a quebra de alguns paradigmas. A causa do movimento negro e a atuação de um homem negro no Senado nacional, por exemplo. Lula, imigrante nordestino radicado em São Paulo, natural de família humilde. Não foi um homem de estudos, mas sempre esteve ligado à luta dos operários e almejou a construção de um país menos desigual – em nosso país, pura quebra de paradigmas.

3) Tanto Barack Obama, quanto Luiz Inácio Lula da Silva, conseguiram a mudança na história de um país. Lula foi o primeiro presidente, em 500 anos de existência de Brasil, que não integrava a casta da sociedade. Foi o primeiro presidente com suas origens no povo. Esse fato, propiciou ao seu governo o desejo de renovação tanto almejado por alguns. Barack é o primeiro presidente negro norte-americano (precisa dizer mais?) em uma nação de brancos. Essas duas “rupturas”, ainda que diferentes, representam uma profunda reforma no modo de pensar das pessoas. Essa mudança diz: “Ei, queremos fazer diferente. Estamos abertos a isso”.

Sei que comentários indignados podem surgir. Não estou querendo dizer que Barack Obama e Lula são iguais. Digo, apenas, que possuem semelhanças. É de se esperar que devido ao contexto e ao próprio fato de que, antes de presidentes, são pessoas diferentes, Lula e Barack apresentem divergências. Mas, apesar disso, sinto-me tão otimista em relação ao novo presidente norte-americano, quando me sentia em relação a Lula. Sim, nós somos capazes.