Acabei de criar aqui no blogue uma sessão dedicada somente para as crônicas que faço. Aos poucos vou postando o material da gaveta.
Para acessar, basta selecionar a opção no menu superior.
[]’s Fabricio Gimenes
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[]’s Fabricio Gimenes
- Tenho saudades daquele tempo. Mais ou menos na era Gratz. Aquilo era uma farra! Aqui no Espírito Santo eu não conheço um só político que não tenha saudades daquela época! Fez, então, uma pausa. Olhou distante, como quem busca lá do fundo da memória as lembranças dos momentos felizes. Iniciou novamente a narrativa num tom mais sereno. Para você ter uma idéia o tal ”paraíso fiscal” nas manchetes dos jornais de hoje foi criado por nós. Nós inventamos tudo isso! Nada era difícil ou impossível demais. Nós éramos os “Reis da cocada preta”…
- Eu posso imaginar.
- Não, não pode. Você pode imaginar putas de luxo de quatro para você bem no meio do expediente? Putas perfeitas, dessas “capas de revista”. Todas pagas com o dinheiro público. Inclusas nas “despesas de viagem”. Esse escândalo recente sobre a farra das passagens, esse é um esquema muito, mas muito antigo. Eu mesmo, certa vez, peguei um avião só para dar uma foda em São Paulo durante a tarde… à noite já estava de volta para contar aos amigos. Por que você sabe, nada disso tem graça se não tiver com quem dividir, né? Abriu os braços quase teatralmente.
- Mas toda essa farra, ninguém percebia nada?
- Percebia, claro. Mas quando percebia, entrava para o esquema também. Cada um tinha a sua fatia do paraíso. Naquele tempo a gente vivia bêbado de uísque. E isso era, na verdade, era a perdição. Quando estávamos “de fogo” a gente fazia muita loucura. Tem muita história que se fosse contada acabaria coma vida de muita gente. Casamento, imagem… Tudo iria para a casa do caralho se visse a público.
- Conte uma história dessas, então.
- ha ha ha… “Vocês” são terríveis. Acendeu um cigarro e tragou profundamente de olhos bem fechados. Assumiu um tom vaidoso, pois, na verdade, se orgulhava de ter escapado impune de todas essas proezas. O olhar parecia cada vez mais perdidos na lembranças envoltas pela névoa da nicotina. Recobrou o fôlego e prosseguiu. Vamos lá, então. Essa já faz muito tempo e eu vou te contar para você ter uma noção de como o uísque e o dinheiro subiram à cabeça de todos.
- Certo. Confirmei numa rápida piscada de olhos.
- Estávamos todos em uma audiência pública num desses fins de mundo aqui do Estado. Fazia um calor do caralho, eu transprava feito um porco. Mas, apesar disso, a gente queria ajudar aquele povo. Na época, se não a memória deste velho não estiver enganada, íamos construir uma ponte e asfaltar um pedaço do vilarejo. Pra ajudar as pessoas, sabe. Pois bem, acabou a tal audiência e entramos no carro com ar condicionado. No caminho de volta para Vitória o “fulano” ligou para as amigas dele combinando um uisquezinho na cobertura dele. A gente foi pra lá e ficou “de fogo”. Todo mundo estava tão doido que pegamos um avião para São Paulo. Eu não me lembro por qual razão, exatamente. Só sei que de lá, fomos parar França! Fomos todos de primeira classe. Tudo regado à muito uísque e tratamento Vip, afinal, éramos políticos e as pessoas ainda tinham algum respeito pela gente. Fizemos uma farra danada por lá. Eu acordei no outro dia e perguntei: Mas que porra de lugar é esse? Não tinha a mínima idéia do que havia acontecido. Todos os quatro estavam muito doidos… Além do uísque tinha os dois que cheiravam. Aliás, muita gente cheirava naquela época. Dizem o Collor enfiava supositório de cocaína no cú durante a campanha eleitoral. Finalizou abrindo uma gargalhada soluçante.
- É difícil acreditar, comentei tentando conter a perplexidade. Mas realmente tudo isso existiu. Você está falando, não é? E o dinheiro, havia muito dinheiro vivo ou era tudo com os cartões?
- O dinheiro brotava vez ou outra. Não era nada regular, não. De vez enquando “cicrano” aparecia com um saco de dinheiro e dizia: “Pega aí um bocado que eu preciso ir embora logo”. E a gente pegava. Não sabia de onde vinha, mas a gente pegava e sabia que nada ia acontecer. No outro dia, quando nos encontrávamos no almoço eu perguntava: “Doutor, doutor, não tem outro saco daquele pra gente não?” e o “cicrano” respondia: “ha ha ha… Agora acabou. Mas qualquer hora aparece de novo”.
- Vocês não se sentiam culpados por roubar toda essa grana?
- Culpados? De maneira alguma. O Estado tinha e tem muita grana. E de mais a mais, a gente roubava, mas ajudava muita gente. Roubava mas promovíamos melhorias para o povo. Muita coisa hoje em Vitória foi construído na nossa época. Era um pouco pro povo e outro pouco “pra hipoteca”. Às vezes a gente era roubado também. Não existe raça pior do que o tal “laranja”. No final, eles sempre passam a te extorquir. E você tem que pagar. Vai fazer o quê? Matar o filho da puta? Dava vontade… mas não era certo.
- Você disse que sente saudades dessa época. Hoje não é assim?
- Hoje tudo está fodido. Tudo tem que ser muito bem feito. Tem a internet, tem o contribuinte que tá sempre em cima… a porra da “opinião pública”. Falava agora aos espasmos, com afeto, revolta e indignação. O dinheiro hoje é muito vigiado. Muita gente consegue fazer as sacanagens, mas leva muito mais tempo. Outra coisa que acabou com a gente foi a loucura. Uísque, cocaína, putas… a gente perdeu o foco.
De uma empoeirada maleta ele retira um livro igualmente antigo. Entre as páginas saca algumas fotografias da época. Celebridades, autoridades em colossais suítes munidos de lavados sorrisos. Os rostos nem parecem os mesmos. O silêncio toma conta do ambiente.
- Pois é, meu filho. A farra acabou. A gente hoje vive por aí, de pequenos golpes públicos com medo da “casa cair”. E isso é tudo que nos resta.
Percebo, então, que a despedida é iminente. Despeço-me deixando uma garrafa de uísque sobre a mesa. Atrás de mim, fecha-se a porta da suíte desbotada e repleta de decadência e solidão. Lá fora a chuva invade a noite. Penso antibioticamente: “O pulso ainda pulsa”.
Por Fabricio Gimenes
Estamos em outubro. Acabamos de entrar no último trimestre de 2009 – um ano repleto de rupturas e mudanças. No meio de todo esse caos informativo e as mudanças acontecendo em velocidades cada vez maiores, a dúvida fica no ar: Por qual razão as micaretas ainda existem?

Chicleteiro convicto
Em 2007 estrevistei o blogueiro e escritor, Francisco Grijó, do Ipsis Litteris. Veja o que disse o escritor dois anos atrás:
As pessoas precisam entender que um quarteto de cordas no Carlos Gomes merece a mesma promoção – se não maior – que um show da Ivete Sangalo. Um show da Ivete movimenta nossa capital, 400 mil pessoas. Enquanto que não há uma mobilização da própria mídia a esse respeito para um quarteto de cordas ou para uma banda de Jazz. Egberto Gismonti esteve na FAFI, haviam 70 pessoas. Um dos maiores músicos do mundo para 70 pessoas. Agora Babado Novo, Calcinha Preta, MC Sapão, eventos na Pedreira, sempre lotados. Mas aí há um dado interessante, existe um público que está afim de entretenimento – sair com as garotas e pegar os rapazes – e existe um público que busca alguma coisa de verdade. Este, é bem menor. É este público que iria ao Centro da cidade assistir ao Café Literário, é o público que vai ao Centro assistir um quarteto de cordas. Agora, compensa economicamente este público? É um público muito pequeno.
Disse mais:
Este tipo de evento, o qual eles chamam de “evento cultural”, não é evento cultural. Trata-se de música de fundo para as pessoas pularem e se beijarem. Se tirar a cantora e colocar apenas caixas de som, não fará diferença.
Dois anos se passaram, eu pergunto, o que mudou? Quase nada eu respondo. Se for pensar, acho que as coisas mudaram um pouquinho, mas para pior. Ora, hoje Vitória inaugura um evento com nada menos que 10 horas de axé, pegação e alienação. Como o slogan mesmo do evento adverte, “isso você nunca viu”.
Sinto-me meio impotente frente a essa realidade. Mas sigo à risca uma regra aprendida com D.Corleone: “Nunca discuta com um idiota”. E hoje, em Vitória, há uma porção deles por aí.
O São Botequim voltou. Depois de alguns meses parados, decidimos reabrir o boteco. O período serviu para uma boa reforma e o acúmulo de muito material bacana que iremos postando gradativamente!

Redação São Botequim
Agradecemos a preferência. Sente-se e peça uma cerveja gelada, pois a prosa vai (re)começar. São Botequim – Política, cultura & Boemia!
Por Fabricio Gimenes
Assisti durante todo o final de semana o documentário “No Direction Home”, um filme de Martin Scorsese sobre a vida de Bob Dylan. O disco ficou lá, no DVD player, por todo o final de semana. Entre uma pausa e outra fui saboreando a história desse músico que eu nunca consegui compreender. Nunca entendi, por exemplo, o grunhido viceral de suas canções, o porquê aquela daquela voz nasalada fazer tanto sucesso? Isso nunca fez muito sentido para mim.

"Like a complete unknown"
Como já era de se esperar logo na primeira cena me identifiquei. Dylan fala sobre a sensação de sentir-se um estrangeiro. De não saber para onde voltar, ou mesmo para onde ir. Minha veia beatnick pulsou forte frente à película. Durante todo o filme fui absorvendo o sentimento de Dylan. O fato de não pautar sua vida numa meta imutável – dinheiro, fama, etc. – e sim, vivê-la pela simples razão de sentir-se bem. Pela unívoca necessidade de dar vazão aos sentimentos. O que vem em seguida é consequência disso. Talvez por isso sua música tenha esse aspecto cru, não lapidado, algo que possui uma certa “ingenuidade” e pureza, sendo entregue a quem ouve da mesma forma como nasceu. Tais canções são como aquele certo sentimento que não dá pra disfarçar, não dá para evitar ou esconder.
É interessante, também, ver as entrevistas prestadas por Dylan aos vorazes jornalistas da época. O cantor parece sempre distante e até desinteressado em todo aquele circo.
O fato é que Dylan apareceu numa época carente de certos porta-vozes, onde a música atingia mais que as paradas de sucesso – despertava sentimentos e emoções. Não que o próprio fizesse questão disso. Mas pela sua sinceridade ao fazer música, tornou-se um. Lembro do que o falecido escritor Norman Mailer, que vivenciou essa mesma época, disse certa vez numa entrevista pouco antes de partir para o lado de lá: “Antigamente a literatura era como um chamado”. Tanto eu, quanto o velho Norman sentimos falta disso. Cabe aqui perguntar: E hoje, qual é o nosso chamado?
Por Fabricio Gimenes

"Lula-Filho do Brasil" deve estrear ainda em 2009
Aproveitando o momento “lulista” aqui no São Botequim, surge uma notícia que vem muito a calhar. Começou a ser rodado esta semana o filme sobre a vida de Lula. O longa dirigido por Fábio Barreto conta a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva desde o seu nascimento até o início da década de 80.
A produção, segundo Barreto, tem o foco direcionado para a parte da história de Lula que é pouco conhecida, tanto no Brasil, como no mundo. As gravações de “Lula – Filho do Brasil” já começaram. As primeiras locações são na terra natal do presidente, o município de Guaranhuns, no agreste de Pernanbuco. Glória Pires interpreta a mãe de Lula, Dona Lindu.
Mais sobre Lula:
Lincoln Memorial- 200 mil prestigiam posse de Barack Obama. Foto: Reuters
Uma Imagem vale mais que mil palavras.
Aos recentes leitores do São Botequim deixo aqui alguns esclarecimentos:
1) Comunico que por uns 2 ou 3 dias (minha previsão) o blogue pode ficar “desatualizado”. Tal heresia se deve ao fato de que seu editor, este que vos escreve, ter virado estatística de verão – fazendo parte do amplo batalhão de brasileiros que contraiu dengue nesse mês. Estou realmente “caído” e estar aqui sentado escrevendo isso já tem sido um grande esforço. Peço a compreensão de todos e, em breve, traremos novos posts.
2) Algumas pessoas enviaram e-mails perguntado sobre o “Desafio do Chopp”, divulgado aqui neste blogue. O desafio não ocorreu no dia previsto e está sem data confirmada por enquanto por motivos técnicos. Estamos a procura de um local mais apropriado e menos burocrático do que o Shopping Vitória. Assim que houver definição postarei aqui.
No mais, não há mais nada a ser dito. Um forte abraço à todos.
Melhoras (para mim).
F.Gimenes

Nesta primeira quinzena de janeiro, Igor Chagas, co-autor do São Botequim,teve a dificíl missão de peregrinar pelas mais belas praias nordestinas. Contudo, apesar de bons relatos que em breve você poderá conferir aqui, trazemos até você, o relato de um fato marcante e não tão belo assim ocorrido no último final de semana.
Por Igor Chagas
Em minha peregrinação pelo litoral nordestino como enviado especial do São botequim, presenciei fatos marcantes. Vi sertanejos humildes voltando para suas casas, bebi e comi o que o nordeste tem de melhor , presenciei o turismo sexual que acontece por aqui e contemplei as mais belas praias da região. Contudo nada me chamou mais a atenção do que a corrupção existente no sistema policial rodoviário nordestino.
Nada contra o Nordeste ou qualquer de seus estados, pelo contrário, sou Alagoano, nordestino com muito orgulho. Porém, existem fatos que não podemos ignorar.
Em viagem para a capital Paraibana, João pessoa, fui parado por uma já conhecida blitz rodoviária: Manzuá. Essa famigerada operação foi apelidada pelos motoristas da região de “Mãos ao alto”. Os homens da lei que nela trabalham são conhecidos por “pedir” qualquer coisa, de cigarros a roupas, em troca da liberação de multas e ocorrências. Por serem a lei, os policiais, conseguem sempre uma intimidação com os motoristas que ali trafegam. Nesta ocasião, nada aconteceu além de eu tomar conhecimento do “sistema”.
Em outra viagem, agora para o balneário pernambucano, Porto de galinhas, seguimos pela BR que liga a capital à praia, onde há um conhecido posto policial. Tao conhecido pelo fato de ser uma parada quase que obrigatória para todo o tipo de fiscalização. Partindo dessa premissa nosso humilde veículo foi parado e, infelizmente, nosso carro estava com documentos irregulares. Um amigo, proprietário do carro, foi convidado entrar no posto policial, junto com o policial que fazia a autuação para uma conversa, digamos, “amistosa”. Ao descobrir que o Oficial iria multar e apreender seu carro, meu amigo, resolveu usar uma frase conhecida do filme Tropa De Elite:
– Amigo, como eu te ajudo a me ajudar? – O oficial respondeu quase instantaneamente: 20 conto e eu te libero.
Decorridas 15 horas após o incidente fomos parados em outra blitz. Dessa vez foi mais “simples”. Com os mesmos problemas na documentação e com a ameaça de apreender o carro, o guarda disse sem pestanejar que 50 reais resolviam nossos problemas. O proprietário do carro novamente pagou o valor e seguiu viagem.
É preciso esclarecer que não apoiamos este tipo de atividade e que quem paga é quase tão culpado quanto quem recebe. Contudo, ao traçarmos a rota para Porto de Galinhas a corrupção da PRF já era uma pauta do São Botequim.
Os fatos acima evidenciam uma triste verdade: Não sabemos mais quem deve nos proteger e quem deve nos ameaçar. Sem querer apagar o nosso crime de financiar essa máfia, percebo que a sociedade vive o bem próprio, passando por cima de qualquer ética moral e legal. Qualquer 50 reais resolve seu problema. Então poderia chegar a hipócrita solução de que quem tem dinheiro não tem problema.
Vimos, recentemente, que esse é um problema que atinge o país inteiro, de cabo à rabo, diria minha avó. Desde a máfia do Judiciário no Espírito Santo até a Máfia da PRF – dos mais ricos aos mais pobres. O pulso ainda pulsa?