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Biografias, The Beatles e a Bravo!

Por Fabricio Gimenes

Acabei de chegar, com muito receio, à última parte da biografia “John Lennon – A vida”, de Philip Norman (abaixo). O livro é simplesmente excelente. Tanto pelas inúmeras histórias, quanto pelo belíssimo texto (muito bem traduzido) de Philip. O fato é que, já há algum tempo, torcia o nariz para biografias pela simples razão de que, do meu ponto de vista, não haveria isenção no texto. Seriam elas (as biografias), em sua maioria, tendenciosas. E realmente são.

Prova disso foi minha primeira visita a este campo. Aventurei-me lendo a história de Tim Maia, escrita por Nelson Motta. Gostei, apesar do fino trato humorístico dado às desventuras em série de Tim em relação ao não comparecimento aos shows, por exemplo. Li, então, a semi-biografia de Ricardo Kotscho (Do golpe ao planalto – uma vida de repórter), escrita pelo próprio. Histórias sempre fantásticas e inspiradoras em tanto tempo de profissão (sobretudo nesta profissão). Mas a isenção foi posta de lado (mais uma vez) , afinal, estamos falando de uma autobiografia.

Na história de John Lennon a cena se repetiu. Mas em uma baixíssima escala. Tanto é verdade que, muito do que eu cultuava sobre o finado, foi colocado em xeque através das histórias narradas por Philip. Tanto que nem Yoko Ono gostou muito do que foi escrito (desculpe, Yoko). Outra verdade impressionante é a riqueza de material e detalhes apresentados no livro. Entrevistas e declarações de  Bob Gruen, Elton John, Tia Mimi, Yoko e tantos outros.

O livro traz as diversas faces de Lennon. Desde o liverpudliano normal, capaz de vivenciar a day in the life, até o mais louco e psicodélico beatle viajando na onda do LSD e vendo marmalade Skys. Tudo isso muito bem linkado ao contexto histórico de cada época vivida. Um capítulo à parte é reservado para as pequenas histórias sobre cada coadjuvante, que ajudam a entender e digerir melhor as ações e reações de John. Pode parecer piegas ou ingênuo da minha parte, mas a publicação traz muito material não divulgado e passa a limpo histórias mal contadas que se propagaram desde a morte de John.

A grande chatisse de se ler biografias é que você já sabe que a personagem morre no final. Mas até lá, a leitura é garantida e realmente acrescenta algo novo e exclusivo sobre a história dos fab four. Aliás, aí é que está o ponto crucial. Exclusividade. No final do mês de outubro a revista Bravo! publicou uma edição especial sobre a história do quarteto de Liverpool (ao lado). A história é dividida em alguns subtemas interessantes como “Impacto no show business”, “Revolução nas letras e músicas” e “Influência no comportamento”. Contudo (em tudo há sempre um porém), nada de novo. Nadica de nada. As mesmas histórias, as mesmas fotografias, os mesmos discos. É pouco? Não, não é. É bem escrito? Mais do que bem escrito. Mas a verdade é que quem lê uma biografia como a de John fica meio entendiado com os periódicos comuns lançados por aí.

Essa história toda me fez perceber, realmente, como o mundo, tal qual aconteceu em meados de 60, está carente de bons moços. De bons garotos. De esperança e outros adjetivos similares. Perdidos nessa realidade antibiótica os Beatles parecem renascer para renovar a fé de cada nova geração, de cada novo(a) adolescente que surge. A cada nova playlist onde estão inclusas  ”I feel fine”, “Can’t buy me love” o olhar volta a brilhar. O mais engraçado é que, em contrapartida desse lado bonzinho e até ingênuo representado por Lennon, McCartney, Harrison e Starr, estão também os cabeludos ácidos e críticos, prontos para a explosão, tal qual se vê em canções como “Revolution”, “I am the walrus” e “Nowhere man”.

Enfim, seja pela esperança no amor ou pelo desejo de mudança, os Beatles continuam vivos. E eu sigo por aqui, entre biografias, Bravos!, Guitar Hero e discos remasterizados. Brian Epstein deve estar se contorcendo no caixão neste momento. Fazer o quê? A indústria da música não pode parar.

O Samba de Marisa

Por Fabricio Gimenes

Marisa Monte - Fotos: Divulgação

Marisa Monte - Fotos: Divulgação

Ela já quis ser cantora de ópera quando era pequena, mas já criança descobriu a magia do samba.  Maria de Azevedo Monte estava mesmo predestinada aos palcos e ao fino trato da cultura popular. Filha do ex-diretor cultural da Escola de Samba Portela, Marisa (íntimo!) lançou há algum tempo o belíssimo álbum “Universo ao meu redor” – uma genial mescla entre o passado e o presente do samba.

Em “Universo ao meu Redor”, Marisa surpreende na postura e suavidade. Onírica e fluida ela desliza pela natureza, pelo amor e pelo cotidiano do samba. Fruto de um fabuloso trabalho de entrevistas com a velha guarda da Portela. O disco é obrigatório no currículo de qualquer amante da música.

A produção talvez seja resultado do tempo de estrada. Nomes conhecidos já passaram por sua carreira, e vice-versa. Nelson Motta, Lula Buarque de Holanda, entre outros, a acompanharam enquanto esta era tratada apenas como uma revelação eclética. Hoje, consolidada e imaculada, artista de poucos discos e longas turnês, “Universo ao meu Redor” tornou-se um capítulo à parte em sua biografia.

Intocável

Reza a lenda, de segura fonte, que Marisa é intocável. A artista sustenta a condição de Diva antes, durante e depois de qualquer trabalho. Talvez o segredo de sua suavidade vocal esteja, exatamente, na concentração anterior a cada gravação.

É senso comum a fama do, digamos, estilo de vida da maioria dos músicos brasileiros. Muitas vezes boemios, chegados em “ervas naturais” e, quase sempre, descontraídos – para dizer o mínimo (mínimo mesmo!).

Muitos artistas, mesmo na condição de protagonistas, se juntam à algazarra natural. Exímios exemplos é o trato dado por Tim Maia ao seus músicos. Não faltam também histórias de Gilberto Gil, Caetano e por aí vai. Mas Marisa é Diva. Não se “mistura”. Seja num estúdio em plena final de copa do mundo, ou em simples ensaio, a postura é a mesma. Antagônica à “baderna”.

Verdade ou mentira, realmente não importa. O que importa é o samba, e isso Marisa tem de sobra!

Para Ouvir:

Universo ao meu redor

www.marisamonte.com.br

 

Para Ver:

Infinito ao meu redor

Hotsite do DVD

Curtas: Nova sessão

Acabei de criar aqui no blogue uma sessão dedicada somente para as crônicas que faço. Aos poucos vou postando o material da gaveta.

Para acessar, basta selecionar a opção no menu superior.

[]’s Fabricio Gimenes

Quero ser Jack Nicholson!

Ele detém o estigma de perverso por conta de seus papéis no cinema, mas não deixa absolutamente nada a desejar nas comédias que já fez. É um velho safado que “ainda não colocou em prática todas as fantasias que já passaram pela sua cabeça vazia”. Senhoras e Senhores: Jack Nicholson! Por Fabrício Gimenes 
Em termos de idade, dá para dizer que, no decorrer do último ano, provavelmente cobri o território de 21 a 61. Foto: Mathew Rolston
“Em termos de idade, dá para dizer que, no decorrer do último ano, provavelmente cobri o território de 21 a 61.” Foto: Mathew Rolston

 Bem do alto da monotonia de qualquer segunda-feira à noite, procuro entre a pilha de revistas alguma edição mais antiga (sempre leio revistas antigas). Entre Playboys, Vips e Superinteressantes, retiro, então, a edição 01 da Rolling Stone Brasil (outubro 2006). Na capa, bela capa devo dizer, está Gisele Bundchen  estampada com todo mérito como “A maior popstar brasileira”. Há também uma excelente matéria sobre Bob Dylan. Mas, a que salta aos olhos no primeiro instante é a reportagem com Jack Nicholson: Confissões de um velho safado.

Na ocasião da reportagem, assinada pelo jornalista Erik Hedegaard, Jack Nicholson estava prestes a estreiar o eletrizante longa Infiltrados, de Martin Scorsese. Jack, na ocasião, retornava ao que parece ser seu verdadeiro habitat: Personagens maus!

Entre um cigarro e outro, Jack revela sua personalidade hedonista, intimamente ligado ao sexo e tudo que pode compor tal cenário. Erik “arranca” dele ótimas declarações. Como no trecho a seguir:

(…) E, finalmente, temos as palavras preferidas de Jack para animar seu papo normal, do dia-a-dia, sendo que duas delas são pussy [xoxota] e cunt [boceta]. 

 “Adoro essas palavras!”, ele quase berra. “Quer dizer, no últimos tempos, poderia até perguntar para alguém: ‘Bom, olha, você sabe por que eu digo cunt ou pussy ou pookie [fofinha]?’ Mas gosto de poder dizer coisas como: ‘Cunt é uma sigla’. ‘Para quê?’ ‘Para can’t-understand-normal-thinking [não consigo entender o raciocínio normal].’ He, he, he. Mas, bom, claro que só invento isso para fazer piada. Mas o negócio é que simplesmente gosto dessas palavras, por acaso.”  

Ou neste trecho: 

“Faz um bom tempo que não estou comprometido, então tenho companhias variadas. Em termos de idade, dá para dizer que, no decorrer do último ano, provavelmente cobri o território de 21 a 61.”
  
“Sessenta e um?”

 “É, sou bonzinho com minhas amigas.” 

A entrevista prossegue com Jack divagando sobre o sexo atualmente e sobre o pânico de não ter realizado todas as fantasias que já se passaram pela sua cabeça vazia.

Jack Nicholson

Em verdade sempre me imaginei com o triplo da idade que hoje tenho ao escrever este blogue. Há algum tempo já cultuava admiração pela cara de maluco de Jack e pelos filmes que já o vi fazendo. Hoje na casa dos 70, o cara possui a verdade e a mentira anunciada no olhar. Detém o riso soberbo e sacana que seduz até mesmo as mais gélidas mulheres (Alguém tem que ceder)  e, para completar, possui o estilo de quem viveu as melhores épocas das melhores maneiras possíveis. Eu pergunto, por que não Jack Nicholson?

Existem também outras figuras, mais ou menos na mesma idade, igualmente inspiradoras. Mas todos inspiram à sua maneira, quase uma coisa de nicho. Jack, tanto na vida real, quanto em seus filmes, traz a efervescência do urgente contraposto com a calma de quem sabe muito bem o que, como e quando algo deve ser feito. Hoje tudo ficou claro. Eu, realmente, quero ser Jack Nicholson!

Para conferir toda a reportagem realizada pela Rolling Stone Brasil com o velho safado, basta clicar aqui

Sobre micaretas e cultura

Por Fabricio Gimenes

Estamos em outubro. Acabamos de entrar no último trimestre de 2009 – um ano repleto de rupturas e mudanças. No meio de todo esse caos informativo e as mudanças acontecendo em velocidades cada vez maiores, a dúvida fica no ar: Por qual razão as micaretas ainda existem?

 Chicleteiro convicto

Chicleteiro convicto

 Em 2007 estrevistei o blogueiro e escritor, Francisco Grijó, do Ipsis Litteris. Veja o que disse o escritor dois anos atrás:

As pessoas precisam entender que um quarteto de cordas no Carlos Gomes merece a mesma promoção – se não maior – que um show da Ivete Sangalo. Um show da Ivete movimenta nossa capital, 400 mil pessoas. Enquanto que não há uma mobilização da própria mídia a esse respeito para um quarteto de cordas ou para uma banda de Jazz. Egberto Gismonti esteve na FAFI, haviam 70 pessoas. Um dos maiores músicos do mundo para 70 pessoas. Agora Babado Novo, Calcinha Preta, MC Sapão, eventos na Pedreira, sempre lotados. Mas aí há um dado interessante, existe um público que está afim de entretenimento – sair com as garotas e pegar os rapazes – e existe um público que busca alguma coisa de verdade. Este, é bem menor. É este público que iria ao Centro da cidade assistir ao Café Literário, é o público que vai ao Centro assistir um quarteto de cordas. Agora, compensa economicamente este público? É um público muito pequeno.

Disse mais:

Este tipo de evento, o qual eles chamam de “evento cultural”, não é evento cultural. Trata-se de música de fundo para as pessoas pularem e se beijarem. Se tirar a cantora e colocar apenas caixas de som, não fará diferença.

Dois anos se passaram, eu pergunto, o que mudou? Quase nada eu respondo. Se for pensar, acho que as coisas mudaram um pouquinho, mas para pior. Ora, hoje Vitória inaugura um evento com nada menos que 10 horas de axé, pegação e alienação. Como o slogan mesmo do evento adverte, “isso você nunca viu”.

Pelas ruas, um desfile de adolescentes e adultos vestindo aquelas temerosas camisetas, os tais “abadás”. Não há bem uma distinção entre ricos e pobres. Todos estão iguais, nivelados. E estes cidadãos são os mesmos que depois criticam nosso presidente, reclamam da gestão e distribuem exacerbadas exclamações nas mesas de bar.

Sinto-me meio impotente frente a essa realidade. Mas sigo à risca uma regra aprendida com D.Corleone: “Nunca discuta com um idiota”. E hoje, em Vitória, há uma porção deles por aí.

VOLTAMOS!

O São Botequim voltou. Depois de alguns meses parados, decidimos reabrir o boteco. O período serviu para uma boa reforma e o acúmulo de muito material bacana que iremos postando gradativamente!

Redação São Botequim

Redação São Botequim

Agradecemos a preferência. Sente-se e peça uma cerveja gelada, pois a prosa vai (re)começar. São Botequim – Política, cultura & Boemia!

No direction home

Por Fabricio Gimenes

Assisti durante todo o final de semana o documentário “No Direction Home”, um filme de Martin Scorsese sobre a vida de Bob Dylan. O disco ficou lá, no DVD player, por todo o final de semana. Entre uma pausa e outra fui saboreando a história desse músico que eu nunca consegui compreender. Nunca entendi, por exemplo, o grunhido viceral de suas canções, o porquê aquela daquela voz nasalada fazer tanto sucesso? Isso nunca fez muito sentido para mim.

Like a complete unknown

"Like a complete unknown"

Como já era de se esperar logo na primeira cena me identifiquei. Dylan fala sobre a sensação de sentir-se um estrangeiro. De não saber para onde voltar, ou mesmo para onde ir. Minha veia beatnick pulsou forte frente à película. Durante todo o filme fui absorvendo o sentimento de Dylan. O fato de não pautar sua vida numa meta imutável – dinheiro, fama, etc. – e sim, vivê-la pela simples razão de sentir-se bem. Pela unívoca necessidade de dar vazão aos sentimentos. O que vem em seguida é consequência disso. Talvez por isso sua música tenha esse aspecto cru, não lapidado, algo que possui uma certa “ingenuidade” e pureza, sendo entregue a quem ouve da mesma forma como nasceu. Tais canções  são como aquele certo sentimento que não dá pra disfarçar, não dá para evitar ou esconder.

É interessante, também, ver as entrevistas prestadas por Dylan aos vorazes jornalistas da época. O cantor parece sempre distante e até desinteressado em todo aquele circo.

O fato é que Dylan apareceu numa época carente de certos porta-vozes, onde a música atingia mais que as paradas de sucesso – despertava sentimentos e emoções. Não que o próprio fizesse questão disso. Mas pela sua sinceridade ao fazer música, tornou-se um. Lembro do que o falecido escritor Norman Mailer, que vivenciou essa mesma época, disse certa vez numa entrevista pouco antes de partir para o lado de lá: “Antigamente a literatura era como um chamado”. Tanto eu, quanto o velho Norman sentimos falta disso. Cabe aqui perguntar: E hoje, qual é o nosso chamado?

Dalí em diante

Por Fabricio Gimenes

“Há exatos 20 anos morria Salvador Dalí”. Foi assim que e o camarada Grijó começou seu post sobre o aniversário da morte do maior expoente do movimento  surrealista. O texto fala de uma fotografia feita por Philippe Halsman onde Dalí aparece pulando. Isso mesmo, no gerúndio, pulando. O texto traz ainda o grifo de um livro lançado pelo mesmo fotógrafo com celebridades pelos ares, Jump Book.

O post feito no Ipsis Litteris me trouxe à memória outra célebre foto de Dalí, talvez bem menos conhecida, mas não menos importante. Na composição Salvador Dalí aparece com o roqueiro Alice Cooper (abaixo).  

"Cérebro de um Popstar". Salvador Dali e Alice Cooper

"Cérebro de um Popstar". Salvador Dali e Alice Cooper

Na ocasião, nosso póstumo surrealista fazia um holograma do “Cérebro de um Popstar”. Alice Cooper foi a “cobaia escolhida por Salvador talvez pelo fato de que suas apresentações sempre foram muito mais que um “mero” show de rock.  As performances  de Cooper,  por assim dizer, sempre foram marcadas por cadeiras elétricas, teatrais execuções e derivados do gênero.

A fotografia está presente na coletânea “Rockers”, de Bob Gruen. O livro, que foi um dos melhores presentes que já ganhei, é um espetáculo à parte e vale conferir.

 

Trocando em miudos

Salvador Dalí foi um figura ímpar. Dalí em diante o surrealismo nunca mais foi o mesmo. Muito conhecido por seu egocentrismo o artista faleceu há duas décadas e deixou recordações. Embora alguns novos artistas tenham tentado dar continuidade expressiva ao movimento, nenhum se igualou a ele. Nas palavras do defunto

“A diferença entre os outros surrealistas e eu é que eu sou Surrealista“. 

Curtas: Vida de Lula vira filme

Produção tem orçamento estimado em R$12 milhões e conta com Glória Pires no elenco

Por Fabricio Gimenes

Lula-Filho do Brasil deve estrear ainda em 2009

"Lula-Filho do Brasil" deve estrear ainda em 2009

Aproveitando o momento “lulista” aqui no São Botequim, surge uma notícia que vem muito a calhar. Começou a ser rodado esta semana o filme sobre a vida de Lula. O longa dirigido por Fábio Barreto conta a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva desde o seu nascimento até o início da década de 80.

A produção, segundo Barreto, tem o foco direcionado para a parte da história de Lula que é pouco conhecida, tanto no Brasil, como no mundo. As gravações de “Lula – Filho do Brasil” já começaram. As primeiras locações são na terra natal do presidente, o município de Guaranhuns, no agreste de Pernanbuco. Glória Pires interpreta a mãe de Lula, Dona Lindu.

Mais sobre Lula:

# Do Golpe ao planalto (Ricardo Kotsho)

Titãs – A vida até parece uma festa

DOCUMENTÁRIO RELEMBRA O TEMPO EM QUE ARNALDO ANTUNES ERA CABELUDO, BRANCO MELLO ERA MAGRICELA E PAULO MIKLOS AINDA TINHA JEITO DE BOM MOÇO.
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Por Fabricio Gimenes 

Divulgação

Foto: Divulgação

Chegou aos cinemas de todo o país, ou pelo menos a alguns cinemas, o documentário “Titãs – A vida até parece uma festa”. O longa metragem dirigido por Branco Mello e Oscar Rodriguez Alves repassa os mais de 20 anos de trajetória da banda que marcou uma geração.  Os registros começam logo no início dos anos 80 quando Branco compra uma câmera VHS e passa, desde então, a documentar o dia-a-dia da banda.

A montagem do projeto começou em 2002.  A produção partiu de mais de 200 horas de gravações arquivadas em acervo pessoal e também contou com uma extensa busca de material nas emissoras de tevê. O site do filme dá uma prévia do que se pode esperar:

“ A soma desse conteúdo revela personagens incríveis e momentos inesquecíveis: o início underground em São Paulo, o primeiro sucesso Sonífera Ilha, as prisões por envolvimento com drogas, o antológico show Cabeça Dinossauro, os bastidores das gravações do álbum Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas, o sucesso nos grandes festivais, as saídas de Arnaldo Antunes e Nando Reis, a morte trágica de Marcelo Fromer, as viagens pelo Brasil e o mundo.”

Para quem sempre acompanhou a cena musical do rock brasileiro o documentário é um marco. A história dos Titãs confude-se com a história de uma geração inteira. Afinal, contar a trajetória de uma banda que registrou, através de sua música, a história recente de nosso país não é pouca coisa. 

É de se esperar,  como em todas auto-biografias, que os fatos ruins sejam preteridos. O lado não-comercial que toda banda tem. O filme não consta nas listas de exibições de Vitória, ainda. Mas, para os fãs da banda que, assim como eu,  esperam ansiosamente pela produção, fica um aperitivo do que está por vir.

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