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Crônica de botequim: O mito do garçom

Por Fabricio Gimenes

garçonsNenhuma outra figura na história mundial conhece tão bem os segredos e traquejos da noite quanto ele, o Garçom. Também conhecido como chefia, capitão, amigão, brother, doutor, mestre, camarada. Ele é seu, meu, nosso amigo. Conhece, melhor do que ninguém, a ficha de cada bebum ou dama solitária do bar.

O Garçom já foi imortalizado pelo cinema e pela cultura popular. Ele é o responsável pelo alívio imediato ao final do dia. Muitas vezes é cúmplice de mentiras deslavadas e companheiro de profundos e sombrios porres. É ouvinte atento de desventuras amorosas, competentíssimo psicólogo entre uma cerveja e outra. Todo Garçom é um baú repleto de histórias irreverentes e inimagináveis.

Bom Garçom te chama pelo nome e pergunta “O de sempre?”. Não espera a gente chamar para trazer mais uma. Sabe muito bem que a saidera dura pelo menos três rodadas. Pelo menos.

O Garçom está presente no cotidiano. É fotógrafo, cupido e produtor musical. Na maioria das vezes sempre tem uma piada ou comentário sarcástico na ponta lingua. Vive correndo alimentando a alegria de quem celebra a noite. O Garçom é o símbolo máximo da cortesia e da camaradagem. E é ele que muitas vezes leva a culpa no dia seguinte… pobre Garçom.

Existem vários tipos de Garçons. Os simpáticos que estão sempre de alto astral. Estes possuem uma energia incomum e não apresentam as tão cotidianas olheiras que os próprios clientes trazem em face. Exite também o Garçom gozador (sem trocadilho), que vive fazendo piada com os clientes, comenta o futebol e sempre te sacaneia quando seu time perde. Dá palpites atéHá o Garçom mau-humorado (mas que o é somente para fazer pose). Basta perguntar onde está o limão da capirinha que ele te manda ir buscar no Horti-fruit. Existe o Garçom gago, o ligeirinho, o bom de memória e o que tem amnésia. Exite até mesmo o invisível – que sempre se materializa com outra cerveja sobre a mesa.

Independente do estilo do bar ou do cliente, sempre haverá um Garçom a postos pronto a animar a noite (ou o dia!). Psicólogo, amigo, descontraído, cansado, imbatível. Skol ou Brahma, Bohemia ou Antártica. Não importa. No final das contas, o Garçom é um patrimônio público, espectador dos melhores e piores momentos de nossas vidas. É um fiel mordomo. Em todo botequim que se preze, o Garçom é mesmo um mito.

Curtas: Nova sessão

Acabei de criar aqui no blogue uma sessão dedicada somente para as crônicas que faço. Aos poucos vou postando o material da gaveta.

Para acessar, basta selecionar a opção no menu superior.

[]’s Fabricio Gimenes

Quero ser Jack Nicholson!

Ele detém o estigma de perverso por conta de seus papéis no cinema, mas não deixa absolutamente nada a desejar nas comédias que já fez. É um velho safado que “ainda não colocou em prática todas as fantasias que já passaram pela sua cabeça vazia”. Senhoras e Senhores: Jack Nicholson! Por Fabrício Gimenes 
Em termos de idade, dá para dizer que, no decorrer do último ano, provavelmente cobri o território de 21 a 61. Foto: Mathew Rolston
“Em termos de idade, dá para dizer que, no decorrer do último ano, provavelmente cobri o território de 21 a 61.” Foto: Mathew Rolston

 Bem do alto da monotonia de qualquer segunda-feira à noite, procuro entre a pilha de revistas alguma edição mais antiga (sempre leio revistas antigas). Entre Playboys, Vips e Superinteressantes, retiro, então, a edição 01 da Rolling Stone Brasil (outubro 2006). Na capa, bela capa devo dizer, está Gisele Bundchen  estampada com todo mérito como “A maior popstar brasileira”. Há também uma excelente matéria sobre Bob Dylan. Mas, a que salta aos olhos no primeiro instante é a reportagem com Jack Nicholson: Confissões de um velho safado.

Na ocasião da reportagem, assinada pelo jornalista Erik Hedegaard, Jack Nicholson estava prestes a estreiar o eletrizante longa Infiltrados, de Martin Scorsese. Jack, na ocasião, retornava ao que parece ser seu verdadeiro habitat: Personagens maus!

Entre um cigarro e outro, Jack revela sua personalidade hedonista, intimamente ligado ao sexo e tudo que pode compor tal cenário. Erik “arranca” dele ótimas declarações. Como no trecho a seguir:

(…) E, finalmente, temos as palavras preferidas de Jack para animar seu papo normal, do dia-a-dia, sendo que duas delas são pussy [xoxota] e cunt [boceta]. 

 “Adoro essas palavras!”, ele quase berra. “Quer dizer, no últimos tempos, poderia até perguntar para alguém: ‘Bom, olha, você sabe por que eu digo cunt ou pussy ou pookie [fofinha]?’ Mas gosto de poder dizer coisas como: ‘Cunt é uma sigla’. ‘Para quê?’ ‘Para can’t-understand-normal-thinking [não consigo entender o raciocínio normal].’ He, he, he. Mas, bom, claro que só invento isso para fazer piada. Mas o negócio é que simplesmente gosto dessas palavras, por acaso.”  

Ou neste trecho: 

“Faz um bom tempo que não estou comprometido, então tenho companhias variadas. Em termos de idade, dá para dizer que, no decorrer do último ano, provavelmente cobri o território de 21 a 61.”
  
“Sessenta e um?”

 “É, sou bonzinho com minhas amigas.” 

A entrevista prossegue com Jack divagando sobre o sexo atualmente e sobre o pânico de não ter realizado todas as fantasias que já se passaram pela sua cabeça vazia.

Jack Nicholson

Em verdade sempre me imaginei com o triplo da idade que hoje tenho ao escrever este blogue. Há algum tempo já cultuava admiração pela cara de maluco de Jack e pelos filmes que já o vi fazendo. Hoje na casa dos 70, o cara possui a verdade e a mentira anunciada no olhar. Detém o riso soberbo e sacana que seduz até mesmo as mais gélidas mulheres (Alguém tem que ceder)  e, para completar, possui o estilo de quem viveu as melhores épocas das melhores maneiras possíveis. Eu pergunto, por que não Jack Nicholson?

Existem também outras figuras, mais ou menos na mesma idade, igualmente inspiradoras. Mas todos inspiram à sua maneira, quase uma coisa de nicho. Jack, tanto na vida real, quanto em seus filmes, traz a efervescência do urgente contraposto com a calma de quem sabe muito bem o que, como e quando algo deve ser feito. Hoje tudo ficou claro. Eu, realmente, quero ser Jack Nicholson!

Para conferir toda a reportagem realizada pela Rolling Stone Brasil com o velho safado, basta clicar aqui

VOLTAMOS!

O São Botequim voltou. Depois de alguns meses parados, decidimos reabrir o boteco. O período serviu para uma boa reforma e o acúmulo de muito material bacana que iremos postando gradativamente!

Redação São Botequim

Redação São Botequim

Agradecemos a preferência. Sente-se e peça uma cerveja gelada, pois a prosa vai (re)começar. São Botequim – Política, cultura & Boemia!

Nota de esclarecimento

Aos recentes leitores do São Botequim deixo aqui alguns esclarecimentos:

1) Comunico que por uns 2 ou 3 dias (minha previsão) o blogue pode ficar “desatualizado”. Tal heresia se deve ao fato de que seu editor, este que vos escreve, ter virado estatística de verão – fazendo parte do amplo batalhão de brasileiros que contraiu dengue nesse mês. Estou realmente “caído” e estar aqui sentado escrevendo isso já tem sido um grande esforço. Peço a compreensão de todos e, em breve, traremos novos posts.

2) Algumas pessoas enviaram e-mails perguntado sobre o “Desafio do Chopp”, divulgado aqui neste blogue.  O desafio não ocorreu no dia previsto e está sem data confirmada por enquanto por motivos técnicos. Estamos a procura de um local mais apropriado e menos burocrático do que o Shopping Vitória. Assim que houver definição postarei aqui.

No mais, não há mais nada a ser dito.  Um forte abraço à todos.

Melhoras (para mim).

F.Gimenes

Desafio do Chopp

A equipe do São Botequim, em parceria com o Doiderapura.com orgulhosamente apresenta o I Desafio do Chopp:

teaser

A história é bem simples. São 72 tulipas de chopp, num prazo máximo de 12 horas, bebidas por um homem: Victor Tristão. O pé de cana de plantão quer deixar seu nome no hall da fama da bebedeira deixando para trás qualquer tentativa de bater esse recorde. O local escolhido foi a chopperia Chop Time, no Shopping Vitória. O evento acontecerá no próximo dia 13,  a partir das 10 horas.

Bolão do Chopp

A história é bem simples. Cada pessoa pode apostar qual será o número máximo de chopps consumido por Victor. O profeta de plantão que acertar a dose fatídica leva a grana toda para casa e ainda sai bem na foto aqui no São Botequim. As apostas devem ser homologadas no local na hora do evento e cada lance terá o valor simbólico de R$5,00. 

Quem estiver preso no trabalho poderá acompanhar a saga em tempo real, transmitida via Twitter ou aqui no São botequim e Doiderapura.com. Particularmente acho meio difícil a meta de 72 chopps em uma única empreitada. E você, acha possível?

Música de boteco: Novos Baianos

Por Igor Chagas

Começamos agora a série Música de buteco. Essa seção trará as melhores (ou piores) bandas para se apreciar enquanto se toma o Sagrado Suco de Cevadis.

Na primeira edição da Música de buteco teremos os ( hoje idosos) Novos baianos. Essa banda, essencialmente formada por meia dúzia de baianos e uma carioca, completa , agora em 2009, quatro décadas de vida. Nada mau para esses meninos baianos.

O grande trunfo do grupo é a orgia de ritmos e a relação íntima com o Brasil. Músicas que vão do frevo ao rock, de Caymmi a Hendrix e continuam agradando diferentes gerações, sendo constantemente lembrados em livros e filmes. Grande parte da geração de 70 esteve ligado nos meninos da Bahia. Junto com o tropicalismo eles ditaram a moda e o ritmo da época.

Por que ouvir Novos baianos na mesa do bar?

É bem Simples. O som é tipicamente brasileiro e as letras são tão fáceis e repetitivas que você nem terá vergonha de cantar errado na frente da galera. Para finalizar, a pedida da vez é o famoso acarajé da bahia. Chopp gelado, mulher bonita, boa música e pimenta. Ta esperando o que meu rei? Vá lá conferir o que a baiana tem.

Quer mais? Basta clicar aqui!

As Playboys de minha vida

Por Fabricio Gimenes

Alguém disse por aí que a vida começa aos 40. Particularmente sempre achei uma época meio tardia  para começarmos a viver. Revirando a memória em busca de boas lembranças nestes tempos tão caóticos fez-se emergir a época do descobrimento. Antes mesmo da “primeira noite de um homem”, surge a “primeira playboy de um homem”. Longe dessa histeria financeira, dos crashs provocados pelos tempos modernos, a vida acontecia bem mais simples, num interior perdido, bem próximo da terrinha de Mário Prata. 

Ao contrário do que muitos citam, não foi a Adriane Galisteu que me fez descobrir o mundo como ele realmente poderia ser. Nem mesmo a Vera Fisher. Lembro como se fosse amanhã. Estudantes afoitos de um colégio católico correndo em disparada até a banca mais próxima. Ali, bem ao lado do cabaré gentilmente apelidado de “inferninho”, víamos o mundo de outra forma. Diferente do puritanismo ao qual estávamos habitualmente acostumados, distante das falas pausadas e religiosas das freiras que coordenavam nossa escola. Já no local comprávamos algumas revistas de quadrinhos “para fazer volume na sacola” e, de esquema com o vendedor, adquiríamos a sensação do momento. Quem deu a dica foi o avô de um amigo. Na calçada algum bêbado nos maldizia e as prostitutas riam de nossos olhares inexperientes. Na capa, em tons avermelhados, contemplávamos as curvas delgadas de Deborah Secco. O mundo se revelava mais belo à cada página. De alguma maneira eu sabia que me lembraria daquela cena por muito tempo.

Folhear uma Playboy, naquela época, era como se fossemos cúmplices de uma heresia. A nudez em nosso mundo de criação sempre foi vista como um pecado mortal… “Toda nudez será castigada”. Dos meus comparsas pouco me lembro. Muitos deles se perderam com o passar dos tempos e avanço da idade. Lembro apenas do que se sucedeu dali em diante em minha vida. Certa vez vi, num filme, Woody Allen confessando que convocava fervorosos menages à troir em suas noites consigo mesmo. Ah! Incontáveis orgias solitárias eu participei… Deborah Secco, Luma, Mel Lisboa… 

A influência do universo Playboy na vida de minha geração, creio, é ampla. Quando descobri este mundo as portas do céu (ou do inferno, diria minha avó) se abriram para mim. Os temas que sempre tivemos curiosidade de ler, as garotas que sempre quisemos ver, os carros que sempre sonhamos dirigir. Do alto de nossa pré-adolescência: o mundo que sempre quisemos viver. Parece masturbação (sem trocadilho) do ego masculino, mas, na verdade, era o mundo que girava ao nosso redor. 

Temo que nos dias atuais os garotos dessa nova geração não participem dessa busca proibida pelo descobrimento desse mundo. O advento da internet (o clichê é proposital) acabou com isso. Toda a poesia da coisa se esvaiu. É como comparar os carnavais da década de 40 – tão bem narrados por Jabor – com as micaretas de hoje em dia. Os filhos dessa nova geração não mais iniciam incipientes punhetinhas. Não. Esses novos cafajestezinhos querem o sexo carnal, o super-orgasmo, o êxtase apoteótico já na primeira vez… Ah! Se tivessem a noção de que o sexo de verdade não é como nas produções de Bruna Ferraz e Rita Cadilac… Se estes novos sabichões soubessem do que realmente se trata…

A verdade é que estou falando mal, sim, de toda essa liberdade que temos atualmente. Estou defendendo o conservadorismo? Depende do ponto de vista. O que quero dizer é que não há nada na vida como quebrar certas regras, mas se não existem mais regras, eu insisto, como vamos gozar (da vida)?