Por Fabricio Gimenes
Assisti durante todo o final de semana o documentário “No Direction Home”, um filme de Martin Scorsese sobre a vida de Bob Dylan. O disco ficou lá, no DVD player, por todo o final de semana. Entre uma pausa e outra fui saboreando a história desse músico que eu nunca consegui compreender. Nunca entendi, por exemplo, o grunhido viceral de suas canções, o porquê aquela daquela voz nasalada fazer tanto sucesso? Isso nunca fez muito sentido para mim.

"Like a complete unknown"
Como já era de se esperar logo na primeira cena me identifiquei. Dylan fala sobre a sensação de sentir-se um estrangeiro. De não saber para onde voltar, ou mesmo para onde ir. Minha veia beatnick pulsou forte frente à película. Durante todo o filme fui absorvendo o sentimento de Dylan. O fato de não pautar sua vida numa meta imutável – dinheiro, fama, etc. – e sim, vivê-la pela simples razão de sentir-se bem. Pela unívoca necessidade de dar vazão aos sentimentos. O que vem em seguida é consequência disso. Talvez por isso sua música tenha esse aspecto cru, não lapidado, algo que possui uma certa “ingenuidade” e pureza, sendo entregue a quem ouve da mesma forma como nasceu. Tais canções são como aquele certo sentimento que não dá pra disfarçar, não dá para evitar ou esconder.
É interessante, também, ver as entrevistas prestadas por Dylan aos vorazes jornalistas da época. O cantor parece sempre distante e até desinteressado em todo aquele circo.
O fato é que Dylan apareceu numa época carente de certos porta-vozes, onde a música atingia mais que as paradas de sucesso – despertava sentimentos e emoções. Não que o próprio fizesse questão disso. Mas pela sua sinceridade ao fazer música, tornou-se um. Lembro do que o falecido escritor Norman Mailer, que vivenciou essa mesma época, disse certa vez numa entrevista pouco antes de partir para o lado de lá: “Antigamente a literatura era como um chamado”. Tanto eu, quanto o velho Norman sentimos falta disso. Cabe aqui perguntar: E hoje, qual é o nosso chamado?





Em outra viagem, agora para o balneário pernambucano, Porto de galinhas, seguimos pela BR que liga a capital à praia, onde há um conhecido posto policial. Tao conhecido pelo fato de ser uma parada quase que obrigatória para todo o tipo de fiscalização. Partindo dessa premissa nosso humilde veículo foi parado e, infelizmente, nosso carro estava com documentos irregulares. Um amigo, proprietário do carro, foi convidado entrar no posto policial, junto com o policial que fazia a autuação para uma conversa, digamos, “amistosa”. Ao descobrir que o Oficial iria multar e apreender seu carro, meu amigo, resolveu usar uma frase conhecida do filme Tropa De Elite:
Toda segunda-feira tem sua culpa. Que me desculpem os “Caxias” de plantão, mas não levo muita fé na segunda-feira. Após algum tempo de vida a gente começa a perceber como a nossa mente funciona de verdade.
Tudo começou ainda esta semana. Na última quarta-feira (8), o blogue
publicou em seu blog uma 